Quem me conhece ou lê meus posts está cansado de saber sobre o meu enorme interesse em investigação criminal e temas relacionados. Então fica fácil imaginar que o fascínio que caso Amanda Knox exerce em mim.

Quando eu soube que o Netflix lançaria um documentário sobre  caso fiquei animada contando os dias pra assistir. Lançou ontem, 30 de setembro e eu não poderia deixar passar um dia, claro.

Documentário Amanda Knox

A história ocorreu em 2007 em Perugia, na Itália, quando uma estudante britânica chamada Meredith Kercher foi encontrada brutalmente assassinada na casa que dividia com outras intercambistas, entre elas, a americana Amanda Knox. Meredith foi encontrada no chão do quarto com a garganta cortada e sinais estupro, o que depois foi confirmado. Amanda foi logo apontada como responsável pelo crime.

Ela teria, de acordo com a polícia italiana,  ordenado seu namorado e outro homem a estuprar Meredith e cortado, ela mesma,  a garganta da colega. Nunca houve evidência física incontestável sobre a participação da americana no crime, e toda a sua acusação se baseou desde o início, no fato de Amanda ter uma vida sexual ativa e ter personalidade extrovertida e um pouco excêntrica. Depois de 2 condenações e duas absolvições pela corte italiana, Amanda hoje é uma mulher livre, e vive uma vida simples em Seatle, ainda muito atormentada, em todos os sentidos, pelo que ocorreu 10 anos atrás.

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O documentário mostra com clareza os fatos que ocorreram durante todo o processo, desta vez sem a influência dos bombardeios sensacionalistas da mídia sobre os “””””fatos”””””. E tudo agora parece apontar pra uma verdade muito diferente do que era considerado óbvio na época, pelo menos pra mim.

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O documentário é um must watch. Vale muito a pena conferir!

[Spoilers daqui em diante]

A divulgação oficial do doc dá a entender que o filme não vai se posicionar sobre a culpa ou inocência da Amanda e do seu namorado Rafaelle no assassinato. Mas ao assistir notei que não é bem assim. Eles acreditam e deixam muito claro que:

  1. O casal não teve envolvimento no crime
  2. A mídia sensacionalista asquerosa é responsável em grande parte pela investigação ser tendenciosa contra os dois
  3. O machismo manifestado através da violência e do slut shaming destruíram a vida de duas mulheres de forma inimaginável. Uma em alguns minutos, a outra em alguns anos.

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Me embrulhou o estômago ouvir o promotor Giuliano Mignini acusando Amanda Knox pelo crime baseado exclusivamente na sua personalidade e em seu histórico sexual. É um slut shaming nível Idade Média. Um horror.

E sobre o papel da mídia na histeria coletiva que afetou a corte da opinião pública, eu deixo um parabéns a todos os envolvidos. Pelo estrago causado.

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🙁

I rest my case.

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